segunda-feira, 24 de maio de 2021

O FUTURISMO E O DADAÍSMO

 

O Futurismo é um dos movimentos artísticos de vanguarda ocorridos na Europa do início do século XX. Ele surgiu em 1909, com a publicação do Manifesto Futurista, de Filippo Tommaso Marinetti, em um contexto de tensão política entre as grandes potências que antecedeu a Primeira Guerra Mundial e de uma evidente evolução tecnocientífica. Assim, o movimento é conhecido pelo seu radicalismo ao propor a “destruição do passado”.

São características do futurismo o anti-tradicionalismo e o culto à guerra e à velocidade, principalmente. Esse movimento, na Europa, foi representado por artistas como os pintores Umberto Boccioni, Carlo Carrà, Giacomo Balla, Gino Severini e Luigi Russolo. No Brasil, ele foi responsável pelo surgimento do modernismo, que assimilou o seu anti-tradicionalismo, com vistas à criação de uma arte nova e libertária.

 

Contexto histórico e origem do futurismo

O escritor Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944) cultuava a violência e a guerra, devido ao seu patriotismo extremista. A partir de 1919, quando se filiou ao Partido Nacional Fascista, passou a usar o movimento como propaganda do fascismo.

Assim como os outros movimentos de vanguarda, o Futurismo surgiu em uma época de tensão política entre as superpotências mundiais — o que levou à Primeira Guerra Mundial — e de grande desenvolvimento tecnológico nas áreas de comunicação e transporte, o que permitiu a diminuição das distâncias e, portanto, favoreceu a velocidade nas comunicações. Desse modo, esses dois fatores — tecnologia e velocidade — foram influências essenciais no futurismo, mais do que em outros movimentos de vanguarda.

Além disso, o advento da Primeira Guerra Mundial mostrou que o Futurismo estava em consonância com o seu tempo, pois, já no primeiro manifesto, o culto à guerra e à violência estava evidente. Dessa maneira, a estética futurista, desde a sua fundação, mostrou ser um dos movimentos de vanguarda mais radicais, dada a sua agressividade, que parecia extrapolar os limites estéticos.


Características do futurismo

Anti-tradicionalismo: liberdade de criação, sem as amarras da arte acadêmica;

 Defesa da “higiene mental”: eliminar a “sujeira”, isto é, o pensamento tradicional;

Renovação: para construir algo novo é preciso destruir o que já existe;

Perspectiva otimista, inspirada pela evolução tecnológica, em relação ao futuro da humanidade;

Valorização do heroico, grandioso e dinâmico;

Culto à guerra e à violência;

Iconoclastia: contrário a símbolos, convenções e tradições;

Exaltação das máquinas: automóveis e aviões;

Culto à velocidade e à tecnologia.

 

Futurismo no Brasil

A importância do Futurismo para a arte brasileira está na sua perspectiva radical de quebra com a tradição e consequente valorização da liberdade de criação, base do modernismo brasileiro. Portanto, esse movimento de vanguarda de origem europeia foi a principal influência para a criação do nosso Modernismo. No entanto, não houve, no Brasil, uma estética futurista, isto é, pinturas, esculturas ou textos literários com características definidoras desse movimento.

Mário de Andrade (1893-1945) foi o responsável pela adoção do termo “modernismo” para definir a nova estética que estava sendo construída no país. Até então, os artistas de vanguarda brasileiros estavam sendo chamados de “futuristas”. Mas a importação desse termo não condizia com a visão nacionalista dos modernistas brasileiros, que buscavam definir uma identidade nacional. Apesar disso, a imprensa do país, naquele momento, parecia não entender a diferença entre modernismo e futurismo, e tratava os dois movimentos como uma coisa só, tamanha era a força dessa influência.

No entanto, entre os artistas modernistas brasileiros da década de 1920, houve grande preocupação em rejeitar qualquer vínculo direto com a estética futurista, o que muito tem a ver com uma postura ideológica de oposição ao fascismo que Marinetti representava. Assim, com exceções como Graça Aranha (1868-1931), Ronald de Carvalho (1893-1935) e Manuel Bandeira (1886-1968), que recepcionaram Marinetti em sua primeira palestra no Brasil em 1926, outros modernistas preferiram manter distanciamento do criador do futurismo.

Essa origem futurista do movimento modernista no Brasil, contudo, não pode ser negada e se deve, também, ao contexto histórico em que estava inserida a cidade de São Paulo, berço do modernismo brasileiro, no início do século XX. A cidade era uma metrópole em ascensão, em processo de modernização, industrialização e urbanização. Nada mais natural que a estética futurista, que valorizava a tecnologia e a mecanização, conquistasse a simpatia dos artistas da época.

Em conclusão, a estética futurista não teve representatividade nas artes visuais brasileiras. Na literatura, sua influência principal está na estrutura do texto, construído a partir da liberdade formal. Assim, todos os autores dos textos modernistas da primeira geração trazem em suas obras essa perspectiva libertária do futurismo, como bem ilustra o poema “Poética”, do livro Libertinagem (1930), de Manuel Bandeira, que defende essa liberdade em seu conteúdo e a demonstra em sua estrutura, construída com versos livres (sem métrica e sem rima):

 

Poética

Estou farto do lirismo comedido

Do lirismo bem-comportado

Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor

[...]

Quero antes o lirismo dos loucos

O lirismo dos bêbedos

O lirismo difícil e pungente dos bêbedos

O lirismo dos clowns de Shakespeare

— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

 

O DADAÍSMO

Dadaísmo foi um dos movimentos de vanguarda do início do século XX. Seu nome é derivado da palavra dadá, que pode ter múltiplos significados e não significar coisa alguma. Surgiu em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, como um movimento de contestação aos valores culturais. Contrário à racionalidade e à arte acadêmica, privilegiou o nonsense (ausência de significado) e defendeu a arte espontânea.

 

Contexto histórico do Dadaísmo

No início do século XX, havia um clima de tensão entre as grandes potências europeias, gerado pela política de expansão neocolonialista iniciada no século anterior. O sentimento de nacionalismo, desenvolvido durante o século XIX, era usado agora para alimentar, em cada nação, a crença em sua superioridade em relação a qualquer outra.

Como consequência de tal rivalidade, além de acordos entre nações, a corrida armamentista intensificou-se. Os países precisavam garantir seu poderio, fosse com acordos entre si, fosse com acúmulo de material bélico, para o caso de ocorrer algum conflito armado, o que aconteceu em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial, que só teve fim em 1918.

No entanto, ao lado da tensão política, havia também certa euforia em relação às inovações tecnológicas que estavam evidentes no início daquele século, como o telefone, o telégrafo sem fio, o aparelho de raio-x, o automóvel, o avião, o cinema. O século que se iniciava mostrava o predomínio da tecnologia e, com ela, da velocidade.

Nesse contexto, alguns artistas, diante da matança que estava em curso durante a Primeira Guerra Mundial, mostravam-se descrentes da civilização e do propalado progresso social de início do século, que contrastava com o conflito armado. Esses artistas, munidos de um espírito anárquico e questionador, criaram então um movimento de vanguarda, o dadaísmo.

 

Origem do Dadaísmo

As vanguardas europeias foram movimentos artísticos ocorridos no início do século XX, na Europa, cada um com características específicas, mas com algo em comum: a quebra com os valores da arte tradicional. O Dadaísmo foi um desses movimentos. Seu principal idealizador foi o poeta romeno Tristan Tzara (1896-1963).

O movimento surgiu, oficialmente, em Zurique, no dia 14 de julho de 1916, com seu primeiro manifesto, assinado pelo escritor alemão Hugo Ball (1886-1927), com esta introdução:

“Dadá é uma nova tendência da arte. Percebe-se que o é porque, sendo até agora desconhecido, amanhã toda a Zurique vai falar dele”.

Segundo o manifesto, o significado da palavra dadá, em francês, é “cavalo de pau”; em alemão, “Não me chateies, faz favor, adeus, até a próxima!”; em romeno, “Certamente, claro, tem toda a razão, assim é. Sim, senhor, realmente. Já tratamos disso”. Nessas definições, já se pode perceber que o movimento era pautado pela ironia. No final das contas, a palavra dadá, para os dadaístas, não tem nenhum significado ou tem todos os significados.

Nessa definição, ou indefinição da palavra dadá, que dá nome ao movimento, é possível perceber a essência dessa vanguarda, fundada na falta de sentido:

“Apenas uma palavra e uma palavra como movimento. [...]. Ao fazer dela uma tendência da arte, é claro que vamos arranjar complicações. Psicologia Dadá, literatura Dadá, burguesia Dadá e vós, excelentíssimo poeta, que sempre poetastes com palavras, mas nunca a palavra propriamente dita. Guerra mundial Dadá que nunca mais acaba, revolução Dadá que nunca mais começa.”

 

Características do Dadaísmo

Basicamente, o Dadaísmo foi um movimento de oposição radical. Assim, foi contra a organização, a lógica, os valores estéticos tradicionais e, também, dos seus contemporâneos. Por isso, é considerado anárquico e provocador. Foi irreverente e experimental, valorizou a improvisação, além de ter feito crítica ao capitalismo e ao consumismo. Defendeu, portanto, uma arte espontânea, com base no nonsense, isto é, na falta total de sentido. Dessa forma, assumiu um caráter caótico e absurdo.

Essa espontaneidade artística, contrária aos padrões estéticos acadêmicos, é ilustrada na famosa “receita dadaísta”, de Tristan Tzara:

 

Pegue um jornal.

Pegue a tesoura.

Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.

 Recorte o artigo.

Recorte em seguida, com atenção, algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.

Agite suavemente.

Tire em seguida cada pedaço um após o outro.

Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.

O poema se parecerá com você.

E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

 

O Dadaísmo também é associado a duas técnicas artísticas:

 

 Colagem: técnica em que pedaços de diferentes tipos de materiais, como papel, tecido etc., são colados um ao lado do outro ou sobrepostos, de forma a criar uma imagem composta por essas combinações.

 Ready-made: deslocamento de um objeto de seu contexto para outro, de forma a gerar estranhamento. Um exemplo é a obra de arte Fonte, de Marcel Duchamp (1887-1968), em que um mictório é deslocado de seu contexto original para ser exposto em uma galeria de arte.

 

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